Judiciário intensifica prevenção à violência contra a mulher com ações nas escolas de diversas comarcas
De olho nos(as) adolescentes e em suas primeiras relações afetivas, a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Tocantins (Cevid/TJTO) iniciou, nessa segunda-feira (17/8), uma série de ações de sensibilização em escolas de 11 comarcas. Nesta terça-feira (18/8), foi a vez dos(as) estudantes do 9º ano da Escola de Tempo Integral (ETI) Almirante Tamandaré, em Palmas, conhecerem de perto o projeto “Maria da Penha nas Escolas: Refletir e Respeitar”, ação que integra a programação da 33ª Semana Nacional da Justiça pela Paz em Casa.
“Nós escolhemos os adolescentes porque eles estão justamente em uma fase de formação, em que começam a construir suas primeiras relações afetivas e a compreender o que é aceitável ou não dentro de um relacionamento. É nesse momento que precisamos conversar sobre respeito, igualdade, limites e também sobre comportamentos que muitas vezes são naturalizados, como ciúme excessivo, controle, humilhação e outras formas de violência”, disse a assessora da Cevid, Letícia Oliveira.
Na segunda-feira, foram atendidas as comarcas de Ananás, Araguacema, Araguaína, Colméia, Palmas, Gurupi, Paraíso e Ponte Alta. Em Palmas, o psicólogo credenciado do Grupo Gestor das Equipes Multidisciplinares (GGEM), João Alves Rodrigues Júnior, e o facilitador da Justiça Restaurativa do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Palmas, José Douglas Neto, apostaram na prevenção e na conscientização como caminhos para interromper ciclos de violência antes que eles se estabeleçam.
Para esclarecer os(as) jovens(as), o psicólogo João Júnior falou sobre os seis tipos de violência: moral, psicológica, sexual, financeira, física e vicária. Esta última foi criada em 9 de abril de 2026 pela Lei nº 15.384/2026, que altera a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), enquadrando-a como uma das formas de violência doméstica e familiar e incluindo-a no rol de crimes hediondos. Saiba mais
“É importante saber identificar os diversos tipos de violência, por isso, estamos investindo na capacitação dos adolescentes para que eles sejam multiplicadores. Assim, teremos uma sociedade cada vez mais consciente, lembrando que em briga de marido e mulher se mete a colher, sim, e se denuncia”, alertou o psicólogo João Júnior, ao reforçar o Disque 180.
Pensando na construção de uma relação saudável, o facilitador José Douglas questionou aos jovens o que geralmente falta em um lar num contexto de violência doméstica. Para o aluno Henrique Quirino, 14 anos, falta diálogo, enquanto, para Luiz Arthur Oliveira Porto, 14 anos, falta respeito.
“A Justiça Restaurativa trabalha muito com a solução de conflitos e os jovens costumam ficar muito no mundo virtual e acabam perdendo essa capacidade de diálogo. Então, a gente busca trabalhar com eles essa capacidade de solucionar conflitos com paciência e comunicação não violenta, primando sempre pelo respeito. Porque o conflito faz parte do ser humano, mas a gente ajuda a tornar o conflito algo mais saudável e algo mais maduro entre todos”, disse o facilitador.
Para a psicóloga da ETI, Vera Lima, a iniciativa foi muito importante para a escola. “Se toda esta movimentação fizer pelo menos uma vítima a menos, já nos deixará satisfeitos”, ponderou.
Ciclo da Violência
Conhecer para combater. Com esta premissa, os jovens conheceram ainda as três fases do ciclo da violência. Na oportunidade, João Júnior explicou cada etapa de forma a identificá-las, com vistas a interrompê-las. Na fase 1, vem o aumento da tensão, com provocações que geram angústia, ansiedade e medo na vítima. A fase 2 é caracterizada pelo ato da violência em si, com a explosão do autor. A agressão pode ser moral, psicológica, e a vítima pode sentir medo, depressão e solidão. Na fase 3, há arrependimento e um comportamento carinhoso, com a tentativa de reconciliação, conhecida como lua de mel. Aqui são percebidos momentos de esforços e esperança, além de medo, confusão, culpa e dependência emocional.
Agenda
A programação nas escolas com a palestra do projeto “Maria da Penha nas Escolas: Refletir e Respeitar” segue até sexta-feira (21/8):
Filadélfia: 19/8
Itacajá: 19/8
Ananás: 20/8
Colméia: 21/8
Gurupi: 21/8
Palmas: 21/8
Palmeirópolis: 21/8
Paraíso: 21/8



Comentários estão fechados.