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Polícia do Irã usará câmeras em locais públicos para identificar mulheres que não usam véu


Hijab é obrigatório no país desde 1983 e o não uso é punível com prisão; autoridades estão fechando lojas e restaurantes que atendem mulheres sem a vestimenta

EFE/EPA/ABEDIN TAHERKENAREH
Mulheres iranianas com véu visitam a 30ª exposição do Alcorão na Mesquita Mosalah em Teerã, Irã

A polícia do Irã anunciou, neste sábado, que está instalando câmeras em locais públicos para identificar as mulheres que não usam o véu, uma nova medida que visa impor o uso desta vestimenta obrigatória no país. “Em uma medida inovadora para evitar tensões e conflitos na aplicação da lei do véu, a polícia usará ferramentas e câmeras inteligentes em locais e vias públicas para identificar pessoas (que não usam o hijab)”, disse o órgão de segurança em comunicado citado pela agência de notícias iraniana “Tasnim”. O órgão de segurança explicou que serão enviadas mensagens às mulheres que não cumprirem a lei do véu e da castidade, “informando-as das consequências”. “A polícia não tolerará qualquer comportamento individual ou coletivo contrário à lei”, diz o comunicado.

O véu é obrigatório no Irã desde 1983 e o não uso é punível com prisão. A medida visa “preservar os valores familiares, fortalecer a saúde mental e garantir a paz dos cidadãos” e evitar atos que “sujem” a espiritualidade do país, segundo a polícia. Muitas mulheres iranianas pararam de usar o véu islâmico obrigatório como forma de protesto e desobediência civil desde a morte de Mahsa Amini, em setembro do ano passado, depois de ser presa justamente por usar o hijab de forma errada. A morte de Amini provocou fortes protestos em todo o país pedindo o fim da República Islâmica e nos quais universidades, institutos e até escolas tiveram um papel importante. A repressão do Estado provocou a morte de cerca de 500 pessoas nos protestos pela morte de Amini, a prisão de milhares e o enforcamento de quatro manifestantes, um deles em público.

Nas últimas semanas, intensificaram-se as tensões pela falta de uso desta vestimenta com apelos de clérigos e conservadores para impor o hijab. Os Ministérios de Educação e Saúde anunciarão na segunda-feira que não permitirão que estudantes frequentem universidades e institutos em véu. As autoridades também estão fechando lojas e restaurantes que atendem mulheres descobertas em todo o país. Somam-se a isso os “vigilantes” que fazem justiça com as próprias mãos e atacam as mulheres sem véu. No final de março, viralizou um vídeo em que um homem joga iogurte na cabeça de duas mulheres por não usarem o véu.

*Com informações da EFE





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Tribuna do Tocantins

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