Dados do 17º Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam crescimento no número de monitorados pelo sistema, especialmente após a pandemia de Covid-19
O número de brasileiros sob monitoramento eletrônico no Brasil ultrapassou a marca dos 91 mil no ano passado. Os dados são 17º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicados nesta quinta-feira, 20, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). No total, são 91.362 pessoas sob o uso de tornozeleira eletrônica, o que representa, segundo o estudo, 11,1% dos atuais presos do país. Desde 2020, houve aumento de pelo menos 20 mil pessoas por ano vigiadas via sistema eletrônico. O crescimento do uso se deve, sobretudo, a uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de adotar a utilização dos equipamentos para reduzir à propagação da infecção pelo coronavírus, por meio da diminuição de detentos encarcerados em meio à pandemia de Covid-19. “O monitoramento eletrônico tem sido propalado como uma alternativa ao encarceramento”, diz a publicação, que também aponta a queda de presos em celas estaduais como um reflexo do uso do monitoramento eletrônico.
Como o site da Jovem Pan mostrou, o 17º Anuário Brasileiro de Segurança Pública também traz outros dados sobre sobre segurança pública e violência no Brasil. Entre eles, a queda no número de mortes violentas no Brasil ao patamar mais baixo em 12 anos. Em 2022, o país registrou 47.508 mortes violentas intencionais, categoria criada pelo FBSP que agrega as vítimas de homicídio doloso (incluindo feminicídios e policiais assassinados), roubos seguidos de morte, lesão corporal seguida de morte e as mortes decorrentes de intervenções policiais. O número registrado só é maior do que o observado em 2011, primeiro ano da série histórica feita pelo fórum. Em contrapartida, com mais de 70 mil vítimas, Brasil registra recorde de estupros em 2022. Do total, 56.820 casos foram de estupros de vulneráveis, enquanto outros 18.110 foram registrados como estupro.
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