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Colapso dos biomas e fim dos lixões no Tocantins são debatidos no VI Seminário de Gestão Socioambiental


O climatologista e pesquisador Carlos Nobre foi o principal destaque do VI Seminário de Gestão Socioambiental da Rede TO Sustentável ao apresentar um panorama dos impactos das mudanças climáticas sobre o Cerrado e outros biomas brasileiros. Em sua palestra magna, o cientista alertou para os efeitos do desmatamento sobre o aumento das temperaturas, a redução das chuvas e a intensificação dos incêndios florestais.

“A reciclagem da água pela vegetação é essencial para manter a temperatura adequada e garantir a ocorrência das chuvas. Quando ocorre o desmatamento, esse equilíbrio é comprometido”, destacou o pesquisador ao abordar os riscos ambientais para a região do Matopiba, que inclui o Tocantins.

Durante a exposição, Nobre ressaltou que o Cerrado, considerado a savana tropical mais biodiversa do planeta, desempenha papel estratégico no armazenamento de carbono e na regulação climática.

O pesquisador apresentou estudos que apontam aumento de temperatura em áreas desmatadas, redução da evapotranspiração e avanço de processos de aridização que podem transformar parte do bioma em áreas com características semelhantes às da Caatinga nas próximas décadas, caso os atuais impactos ambientais não sejam revertidos.

Além da palestra magna, o seminário reuniu especialistas que ampliaram o debate sobre sustentabilidade, governança e preservação ambiental. Entre os(as) palestrantes estiveram pesquisadores(as), gestores(as) públicos(as) e representantes de instituições parceiras que abordaram temas relacionados à proteção dos recursos naturais, aos desafios da gestão socioambiental, à formulação de políticas públicas sustentáveis e à necessidade de fortalecimento das ações integradas entre Poder Público, academia e sociedade. 

O programação seguiu com apresentações técnicas focadas em soluções práticas, com o professor doutor Sérgio Margulis tratando da transição necessária para uma economia de baixo carbono, e com o doutor Marcos Leandro Kazmierczak detalhando a governança ESG e os planos de contingência climática exigidos pela Resolução nº 646 do CNJ, de 2025.

No encerramento focado em resíduos sólidos, o professor doutor José Fernando Thomé Jucá apresentou caminhos econômicos para a erradicação dos lixões e mitigação de crimes ambientais,  alertando que 123 municípios tocantinenses ainda operam de forma inadequada, enquanto as especialistas da Semad Goiás, Andreia Alves e Claudia Cristina, expuseram o sucesso do programa Recicla Goiás, consolidando a logística reversa de embalagens como um pilar essencial da economia circular contemporânea.

Para a coordenadora de Gestão Socioambiental e de Responsabilidade Social (COGERSA), Luciene Dantas, a principal mensagem deixada pelos palestrantes foi a de que, embora o cenário ambiental seja preocupante e exija respostas imediatas, ainda há espaço para transformação por meio do engajamento coletivo.

“O cenário é preocupante, mas pequenas ações podem sim gerar um grande impacto, desde que sejam adotadas por uma parcela significativa da população”, destacou um dos encaminhamentos centrais do evento, reforçando que a construção de um futuro mais sustentável depende do compromisso compartilhado entre instituições e sociedade.



FONTE

Tribuna do Tocantins

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