Em um município que carrega o rio no próprio nome e mantém forte ligação com os recursos naturais, a sustentabilidade também ganhou espaço na nova sede do Fórum da Comarca de Formoso do Araguaia. Durante a solenidade de inauguração do prédio, nesta terça-feira (22/9), o Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) lançou na comarca o Projeto Coleta Seletiva Solidária, iniciativa que alia preservação ambiental e inclusão social.
Formoso do Araguaia é a 14ª comarca a receber o projeto, criado em 2021 e desenvolvido como uma das ações do Plano de Logística Sustentável (PLS) do TJTO. A iniciativa incentiva a separação dos materiais recicláveis produzidos nas unidades judiciárias e a destinação desses resíduos a associações ou cooperativas de catadores, com reflexos ambientais, sociais e econômicos.
O lançamento acompanha a proposta sustentável adotada na construção do novo fórum, que conta com sistema de energia fotovoltaica, reaproveitamento da água da chuva e equipamentos de climatização que proporcionam maior eficiência energética.
Ao explicar o alcance do projeto durante a inauguração do novo fórum, a presidente da Comissão Gestora do Plano de Logística Sustentável, desembargadora Ângela Prudente, destacou que a entrega de uma estrutura moderna precisa estar acompanhada de mudanças na forma como o Judiciário se relaciona com a sociedade e com o meio ambiente. “Hoje também plantamos aqui em Formoso do Araguaia o Projeto Coleta Seletiva Solidária, um marco significativo para a sustentabilidade no âmbito do nosso Poder Judiciário e que simboliza o nosso compromisso com a preservação ambiental, principalmente nesta região tão rica, onde temos um dos maiores santuários mundiais, que é a Ilha do Bananal”, ressaltou.
Da separação do resíduo à inclusão social
A desembargadora também chamou a atenção para uma atitude cotidiana que pode produzir resultados ambientais e sociais: separar corretamente papel, plástico, vidro, metal e outros materiais recicláveis. “É um gesto simples, mas transformador. Com isso, reduzimos a pressão sobre os recursos naturais, promovemos a economia circular e, sobretudo, criamos oportunidades para aqueles que mais precisam”, afirmou.
Ela ressaltou o caráter solidário da iniciativa, que contribui para a valorização dos catadores de materiais recicláveis e para o fortalecimento de associações e cooperativas, com geração de trabalho e renda. “Sustentabilidade não é apenas um compromisso ecológico, mas também um ato de justiça social”, destacou.
Durante a solenidade, a desembargadora lembrou ainda que o projeto contribui para as diretrizes do Programa Justiça Carbono Zero, instituído pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que prevê ações destinadas a medir, reduzir e compensar as emissões de gases de efeito estufa no Poder Judiciário.
Com a implantação em Formoso do Araguaia, a Coleta Seletiva Solidária alcança 14 comarcas do Tocantins. O projeto já está presente em Araguatins, Palmeirópolis, Alvorada, Gurupi, Palmas, Paraíso do Tocantins, Porto Nacional, Novo Acordo, Miracema, Dianópolis, Natividade, Araguaína e Colinas.
Capacitação
Na manhã desta quarta-feira (23/9), a implantação avançou para uma etapa prática. A equipe da Coordenadoria de Gestão Socioambiental e Responsabilidade Social (Cogersa) realiza o Workshop da Coleta Seletiva Solidária com servidores(as) e colaboradores(as) da comarca.
Durante a capacitação, a coordenadora da Cogersa, Luciene Dantas, fala sobre a sustentabilidade integrada ao planejamento estratégico do TJTO. As engenheiras ambientais Cinthia Azevedo e Welica Rodrigues abordam temas como pegada de carbono, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), Plano de Logística Sustentável (PLS), destinação adequada dos resíduos e funcionamento da Coleta Seletiva Solidária no Tribunal.
A equipe também explica a participação de servidores(as) e trabalhadores(as) terceirizados(as) no processo de separação e destinação dos resíduos e no cumprimento das metas socioambientais estabelecidas pelo Judiciário.
Projeto
Criado em 2021, o Projeto Coleta Seletiva Solidária está alinhado à Resolução CNJ nº 400/2021, ao Plano de Logística Sustentável do TJTO e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
A iniciativa busca incorporar práticas sustentáveis à rotina das unidades judiciárias, reduzir os impactos ambientais provocados pela geração de resíduos e ampliar a responsabilidade social por meio da destinação dos materiais recicláveis a organizações de catadores.