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Comissão aprova recursos de proteção para a comunidade LGBTQIA+ encarcerada — Senado Notícias


A Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou, nesta quarta-feira (30), o projeto de lei complementar que cria mecanismos de proteção à população LGBTQIA+ encarcerada. O PLP 150/2021, do senador Fabiano Contarato (PT-ES), recebeu relatório favorável do senador Otto Alencar (PSD-BA) e segue agora para a análise da Comissão de Segurança Pública (CSP). O relatório já havia sido lido na reunião do último dia 16 de agosto, quando foi concedida vista coletiva.

O texto altera a lei complementar que criou o Fundo Penitenciário Nacional (Fupen – Lei Complementar 79, de 1994), para determinar a construção ou adaptação de celas, alas e galerias prisionais específicas para o recolhimento da comunidade LGBTQIA+ encarcerada, em quantidade apropriada e respeitada a autonomia de declaração de identidade pela pessoa encarcerada. O autor propõe, com os recursos do Fupen destinados ao sistema penitenciário nacional, a contínua capacitação dos profissionais que trabalham no sistema prisional, sobre direitos humanos, igualdade e não discriminação, seja ela em relação a questão de gênero, crença religiosa, raça, etnia, orientação sexual e identidade de gênero.

A proposição também menciona, como condição para que estados e municípios recebam repasses do Fupen, a publicação de relatório anual sobre as atividades desempenhadas no âmbito estadual para o combate à discriminação motivada por orientação sexual e identidade de gênero, incluindo casos de violência com essa motivação dentro do sistema prisional.

Na justificativa do projeto, Contarato menciona que um dos problemas centrais de vulnerabilidade LGBTQUIA+ em estabelecimentos prisionais é a ausência de alas, galerias e celas específicas onde possam cumprir suas penas, resultando na violação generalizada de seus direitos.

Para Otto Alencar, a diversidade sexual e de gênero ainda é, geralmente, mal compreendida, a tal ponto que parte da população cultiva estigmas, preconceito, discriminação e violência exacerbados, inclusive no sistema prisional. “Como o Estado deve responder com maior proteção onde maiores forem as ameaças, as medidas propostas podem ser consideradas justas e razoáveis”, destacou o senador em seu relatório.

Foram propostas ao texto três emendas de redação pelo relator, entre elas a que menciona o direito das pessoas LGBTQIA+ de indicar onde preferem ser mantidas no estabelecimento prisional. “Entendemos, ainda, que o arbítrio do agente estatal não deve prevalecer sobre o direito fundamental do encarcerado à própria identidade, ao ser encaminhado a um estabelecimento prisional destinado a determinado sexo, gênero e orientação sexual”, justificou Otto.

Sugestão

A CDH também decidiu pelo arquivamento da ideia legislativa de reajuste das bolsas ofertadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A SUG 6/2022 foi uma iniciativa do engenheiro Lucas Omena, pesquisador da Universidade Federal de Alagoas. A sugestão cidadã ocorreu por meio da Plataforma e-Cidadania, depois de conquistar mais de 27 mil apoios. A proposta, no entanto, recebeu parecer do senador Flávio Arns (PSB-PR) pelo arquivamento.

Como justificativa para a proposta, Lucas Omena cita a defasagem dos valores recebidos por pesquisadores pela Capes e pelo CNPq, desestimulando a entrada de novos mestrandos, doutorandos e professores na iniciação científica. A sugestão foi apresentada em maio do ano passado. O relator reconheceu o mérito da sugestão. Contudo, ele argumentou que as instituições são entidades do âmbito da administração federal e a imposição de reajuste das referidas bolsas deve ser deliberada pelo Poder Executivo. Flávio Arns ainda lembrou que, em fevereiro deste ano, o governo federal anunciou aumento para as bolsas do Capes e do CNPq.

Audiências

Na mesma reunião, a comissão aprovou a realização de uma audiência pública para debater o PL 1.217/2023, que trata da proteção das pessoas com deficiência que não têm o necessário discernimento para os atos da vida civil. Do senador Styvenson Valentim (Podemos-RN), o projeto está em análise na CDH sob relatoria da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO). O requerimento para o debate (REQ 64/2023) é de autoria das senadoras Damares Alves (Republicanos-DF) e Mara Gabrilli (PSD-SP).

Também foi aprovado o requerimento (REQ 65/2023) da senadora Augusta Brito (PT-CE), para debater as condições insalubres dos trabalhadores do setor bancário. As datas para as audiências ainda serão marcadas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)



FONTE

Tribuna do Tocantins

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