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Consumo de alimentos ultraprocessados está ligado a 57 mil mortes no Brasil, diz pesquisa


Levantamento feito pela USP mostrou que diminuição de 10% no consumo de calorias de alimentos ultra processados poderia evitar 3,5 mil mortes por ano

EDUARDO MATYSIAK/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Variação dos alimentos liderou alta da prévia do IPCA em março

Uma nova pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) revela o impacto dos alimentos ultra processados pela população. O resultado é de 57 mil mortes precoces todos os anos no Brasil. O número equivale a 10,5% das mortes precoces em adultos entre 30 e 69 anos no Brasil. O conceito de morte prematura por doenças crônicas não transmissíveis é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com a probabilidade de morrer entre 30 e 70 anos por causa de doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas. A pesquisa também cita que o excesso de peso e a obesidade podem ser causados pela ingestão desses alimentos. A pesquisa levou em conta dados de mortalidade da população cedidos pelo IBGE. A nutricionista Angeli Golfetto explica que os ultra processados recebem aditivos no processo de industrialização para durarem mais nas prateleiras. Componentes químicos como nitrito e nitrato estão nos alimentos ultra processados e podem causar doenças. “Eles vão causando pequenos processos de inflamação crônica e a gente não sente isso. Ela é silenciosa, é aquela que todos os dias colocamos algo processado para dentro, vai aumentando nossos indicies de açúcar na corrente sanguínea, de gordura. Ao longo do tempo, podem causar doenças mais sérias”, explica Angeli.

A pesquisa não cita como vilões os alimentos minimamente processados, como arroz e feijão, e nem os apenas processados, como sardinha e atum em lata. Os dois grupos passam por procedimentos diferentes, que envolvem limpeza, moagem, adições de sal e açúcar e outros aditivos que deixam o alimento palatável e durável. O estudo também calcula quantas mortes poderiam ser evitadas no consumo de ultra processados. Em caso de redução de 10% das calorias diárias consumidas, 3.5 mil pessoas não morreriam de doenças crônicas ao longo do ano. O número aumenta à medida em que se diminui a quantidade de ultra processados consumidos. O pesquisador Eduardo Nilson, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP, participou do estudo e ficou surpreso com o número de mortes prematuras associada aos alimentos. Ele diz que é preciso pensar em estratégias para reduzir o consumo. “Nós precisamos desincentivo o consumo de ultra processados. Isso se dá por meio da regulação de publicidade”, diz Nilson, que destaca o crescimento do consumo de ultra processados.

*Com informações do repórter Misael Mainetti





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Tribuna do Tocantins

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