Categories: Brasil

Estado brasileiro começa a cumprir sentença pelo assassinato de Vladimir Herzog


Julgamento determina que o país adote medidas para que ‘se reconheça, sem exceção, a imprescritibilidade das ações emergentes de crime contra a humanidade’

ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
Ato Ecumênico pelo sétimo dia de falecimento do jornalista Vladimir Herzog, na Catedral da Sé, centro de São Paulo

O governo federal publicou no Diário Oficial da União a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), que condenou o Estado brasileiro pelo assassinato, sob tortura, de Vladimir Herzog. O jornalista foi assassinato por agentes do DOI-Codi em São Paulo, em 25 de outubro de 1975. A portaria assinada pelo ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio de Almeida, foi divulgada no fim de setembro, cinco anos e meio depois da determinação do tribunal. Além da publicação e reconhecimento do governo brasileiro, a sentença determina ainda que o Estado adote medidas para que “se reconheça, sem exceção, a imprescritibilidade das ações emergentes de crime contra a humanidade”. Há ainda a determinação de um pagamento de US$ 180 mil à família de Herzog. O pedido de investigação tramita na OEA desde 2009. O governo brasileiro chegou a alegar que é impossível punir os responsáveis por causa da Lei da Anistia de 1979, que teria beneficiado também agentes de Estado acusados de violações de direitos humanos.

Em junho de 2018, a OEA condenou o Estado brasileiro pela morte de Herzog. O órgão determinou que o Brasil adotasse medidas reparatórias, como realizar “um ato público de reconhecimento de responsabilidade internacional pelos fatos do presente caso, em desagravo à memória de Vladimir Herzog e à falta de investigação, julgamento e punição dos responsáveis por sua tortura e morte”. A decisão do governo brasileiro de publicar a sentença ocorre após o presidente do Conselho Instituto Vladimir Herzog, Ivo Herzog, filho do jornalista, acompanhado do diretor executivo do instituto, Rogério Sottili, se reunirem com o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, com representantes dos ministérios de Relações Exteriores e de Direitos Humanos, além do STF (Supremo Tribunal Federal), no fim de setembro. “O Estado deve reiniciar, com a devida diligência, a investigação e o processo penal cabíveis, pelos fatos ocorridos em 25 de outubro de 1975, para identificar, processar e, caso seja pertinente, punir os responsáveis pela tortura e morte de Vladimir Herzog, em atenção ao caráter de crime contra a humanidade desses fatos e às respectivas consequências jurídicas para o Direito Internacional, nos termos dos parágrafos 371 e 372 da presente sentença. Em especial, o Estado deverá observar as normas e requisitos estabelecidos no parágrafo 372 da presente Sentença”, diz a decisão.

Este é o segundo caso em que a Corte condenou o Brasil por fatos ocorridos no regime militar – o primeiro foi sobre a repressão à guerrilha do Araguaia. Para a Corte, o Brasil “descumpriu a obrigação de adequar seu direito interno” à Convenção Interamericana de Direitos Humanos – da qual é signatário – “em virtude da aplicação da Lei de Anistia”.





FONTE

Tribuna do Tocantins

Share
Published by
Tribuna do Tocantins

Recent Posts

Tribunal de Justiça realiza evento sobre Violência Patrimonial Contra a Mulher na próxima quarta-feira (17/6)

O Tribunal de Justiça do Tocantins(TJTO), por meio da Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat),…

4 horas ago

Palestra de Alê Prates marca lançamento de projetos de formação de líderes no TJTO

“Foi além do que eu esperava, uma oportunidade enriquecedora que me fez refletir sobre o…

5 horas ago

Preparação para aposentadoria abre espaço para reflexão sobre saúde, propósito e novos ciclos de vida

A aposentadoria, muitas vezes associada ao encerramento de uma trajetória profissional, foi apresentada como um…

6 horas ago

Conheça as práticas vencedoras do 4º Prêmio Gestão Judiciária Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira

A Corregedoria-Geral da Justiça do Tocantins (CGJUS) divulgou o resultado do 4º Prêmio Gestão Judiciária…

7 horas ago

Senado analisa propostas de agenda legislativa sobre direitos das mulheres — Senado Notícias

O Senado analisa 24 projetos considerados estratégicos para o avanço dos direitos das mulheres. A…

7 horas ago

Inscrições para workshop sobre educação financeira no Poder Judiciário terminam nesta segunda-feira(15/6)

Organizar o orçamento, tomar decisões financeiras mais conscientes e compreender os fatores comportamentais que influenciam…

8 horas ago