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Fortalecendo a Identidade Cultural: Tradições do Tocantins presentes no 93º Encontro Nacional dos Corregedores


As bênçãos do Divino Espírito Santo foram derramadas no auditório Tribunal de Justiça do Tocantins, durante a abertura Encontro Nacional dos Corregedores-Gerais da Justiça (Encoge), na quarta-feira (24/4), em Palmas. 

Ao som de tambores e violão, e sobe o manto da bandeira, os 12 foliões do Divino do grupo Irmãos Ferreira, de Luzimangues, distrito de Porto Nacional, cantaram a oração do Credo e  apresentaram aos presentes um pouco de uma das manifestações -cultural e religiosa – mais importantes do Tocantins. 

Do mesmo modo, a Suça (ou Sussa, Súcia,Sussia) – dança se configura com um bailado dos dançarinos em movimentos circulares – e as Cavalhadas – que representam a luta entre os cavaleiros vestidos de azul (cristãos) ou vermelho (mouros), armados de lanças e espadas – abrilhantaram o 93º Encoge e o 5º Fórum Fundiário Nacional.

Os participantes foram agraciados com uma exibição vibrante das ricas tradições culturais do Tocantins. A folia do Divino Espírito Santo, Suça (ou Sussa, Súcia,Sussia) e Cavalhadas foram apresentadas como expressões autênticas da identidade local, enraizadas em história e significado profundos. 

“As manifestações culturais do Tocantins são muito variadas, amplas, e trazer isso para o Encontro trouxe a nossa história, a história do Tocantins. As apresentações valorizam, ajudam a preservar a cultura e enriquecem muito todo o evento realizado aqui no Tocantins, e todo o Brasil vai ter conhecimento mais de perto, como é a nossa cultura”, ressaltou a Corregedora-Geral da Justiça do Tocantins e presidente do Fórum Fundiário Nacional, desembargadora Maysa Vendramini Rosal. 

A Suça é dança que remete às origens das comunidades quilombolas. A dona Felisberta Pereira da Silva, dançarina de Suça há três décadas, em Natividade, compartilhou com o grupo Mãe Ana  a energia da dança no evento, ela falou da forte conexão que sente com suas raízes ancestrais enquanto participa dessas festividades. “Eu sinto um voo de liberdade e é quando as minhas origens se manifestam, a minha raiz ancestral se manifesta, porque ao som do tambor a gente faz aquela conexão com homem terra, homem Deus e a gente se sente leve, livre, solta. Isso aí é a manifestação da ancestralidade, é minha raiz mesmo. Eu sou descendente de escravo, meu avô era um negro marcado, foi um negro fugido”, disse emotiva.  

Felisberta, de 60 anos, foi quem fundou o grupo Mãe Ana na tentativa de preservar a cultura. Ela falou da importância dessas apresentações. “É mostrar que a nossa cultura está preservada, ela não está estagnada, tanto no patrimônio material como o imaterial. E a gente está cheio de otimismo agora com tantas leis fortalecendo a cultura, leis de fomento, e isso é muito importante porque a gente trabalha na cultura”, destacou. 

O juiz auxiliar de São Paulo, Ricardo Felício Scaff  parabenizou a organização do evento, enfatizando as apresentações culturais. “O encontro dos Corregedores estava perfeito. É muito importante trazer para o Brasil a cultura do estado tocantinense, a importância que o estado tem na federação e permitir que num evento grandioso, que traz conhecimentos e as boas práticas das Corregedorias locais, conjuntamente com o CNJ, que também tem esse congraçamento de cultura, isso torna o evento cada vez mais grandioso, porque a cultura no Sul é diferente do Norte, isso engrandece a importância do povo brasileiro”.

A programação do 93º Encoge e 5º Fórum Fundiário Nacional foi transmitida pelo YouTube do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO).  A assessora de planejamento e projetos da CGJUS/TO, Juliana Alencar, acompanhou tudo pelas redes sociais e expressou a felicidade de ver as apresetações. “Para mim, que fui criada no meio dessas pessoas simples do Sudeste do Tocantins, ver o nosso sertanejo trazendo a folia, a suça, as Cavalhadas, emociona bastante. Volto no tempo e recordo cada batuque, cada reza, cada canto que ouvi nesses três dias. O Encoge e o Fórum retrataram isso, o povo, a gente simples do nosso Estado”.



FONTE

Tribuna do Tocantins

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