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Le Pen acusa Macron de levar a França a uma ‘explosão social’


Líder da extrema-direita fez duras críticas ao presidente por decisão da reforma da previdência, que resultou em manifestações sangrentas

Ludovic Marin/Pool via REUTERS e
Candidata à presidente da França, a representante da extrema-direita atacou decisão de Macron

A líder da extrema-direita francesa e ex-candidata à presidência da França, Marine Le Pen, acusou, nesta terça-feira, 21, o presidente Emmanuel Macron, de levar o país a uma “explosão social” com sua polêmica reforma da Previdência. “O governo está criando conscientemente todas as condições para que uma explosão social aconteça, é como se estivesse procurando por isso”, afirmou Le Pen em entrevista à AFP. A líder da bancada de 88 deputados do Reagrupamento Nacional (RN) afirmou que, em setembro do ano passado, alertou a primeira-ministra Elisabeth Borne de que não seria possível “apagar o fogo” se o governo decidisse, como ocorreu na última quinta-feira, impor por decreto a reforma previdenciária. “Eu encontrei com Élisabeth Borne (…) e disse a ela: ‘Não contem comigo para servir de bombeiro como fiz com os coletes amarelos’”, afirmou Le Pen, referindo-se às manifestações de 2018-2019 contra a política de Macron, que levou a confrontos violentos entre manifestantes e policiais em todo o país. A decisão de aumentar de 62 para 64 anos a idade mínima de aposentadoria por decreto, sem consultar o Parlamento, provocou protestos e atos de vandalismo em cidades como Paris, Estrasburgo e Dijon, com mais de 300 presos na noite de segunda para terça-feira e um total de 855 desde a quinta-feira passada, segundo o ministro do Interior, Gerard Darmanin.

Após semanas de manifestações pacíficas, diversos grupos de jovens multiplicam os atos de protestos espontâneos – mais de mil até o momento -, segundo as autoridades. Os sindicatos, que já alertavam o governo que temiam perder o controle dos protestos caso não recuasse em sua reforma, convocaram para esta quinta-feira uma nona rodada de greves e manifestações nas quais são esperadas entre 600 mil e 800 mil pessoas, segundo a polícia. “Tudo isso é terrivelmente nocivo e, aliás, terrivelmente perigoso: na realidade, estamos jogando franceses contra franceses”, criticou Le Pen. O povo está “furioso” e se sente “humilhado”, porque “sente que as regras do jogo da democracia foram traídas”, acrescentou a política, que foi duas vezes derrotada por Macron no segundo turno das eleições presidenciais, em 2017 e 2022.

Macron, que se pronunciará oficialmente nesta quarta-feira, 22, em uma entrevista à televisão às 09h00, horário de Brasília, já adiantou durante uma reunião com seus aliados que não irá remodelar seu governo, nem dissolver o Parlamento. Também submeterá a reforma a um referendo. Para Le Pen, com essa atitude o chefe de Estado “escolhe dar um segundo tapa na cara no povo francês dizendo: ‘Escutem, tudo o que aconteceu (com os protestos) não vai dar em nada. Nada. Nem dissolução, nem remodelação, nem retirada da lei, nada, seguiremos em frente como se nada tivesse acontecido”. Macron é “o único que tem a solução: a solução, quando há uma crise política, é escutar o povo”, concluiu Le Pen.

*Com informações da AFP





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Tribuna do Tocantins

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