Categories: Estado

Portal do Ministério Público do Estado do Tocantins


O Ministério Público do Tocantins (MPTO) manifestou-se perante a Justiça, na terça-feira, 12, reiterando pedido para que seja suspensa a terceirização do serviço de UTI pediátrica do Hospital Geral de Palmas e do serviço de UTI neonatal do Hospital e Maternidade Dona Regina.

Trata-se da quinta manifestação pela suspensão da terceirização realizada pela 27ª Promotoria de Justiça da Capital, desde o mês de junho, sob alegação de ineficiência na prestação dos serviços.

Entre os fatos listados pela Promotoria de Justiça ao longo dos meses, constam situações de desabastecimento de medicamentos e insumos, deficit de profissionais de saúde, demora para a emissão de pareceres médicos e ausência de responsável técnico e de diretor assistente nas UTIs, entre outras irregularidades.

Na manifestação desta terça-feira, a 27ª Promotoria de Justiça da Capital relata que dez leitos da UTI pediátrica do HGP estão bloqueados desde 1º de setembro, a pedido da empresa terceirizada, em mais uma demonstração de que os serviços vêm sendo prestados de forma ineficiente. A informação sobre a inativação dos leitos foi captada do portal Integra Saúde, mantido pela Secretaria Estadual da Saúde (SES).

A 27ª Promotoria de Justiça da Capital também menciona o risco de paralisação de profissionais de saúde que trabalham nas UTIs, em razão dos recorrentes atrasos no pagamento de seus salários, o que pode vir a ocasionar desassistência aos pacientes.

A manifestação do Ministério Público ainda relembra à Justiça que, em 31 de agosto, foram juntados ao processo judicial uma certidão ministerial e um boletim de ocorrência que relatam o óbito de uma recém-nascida que aguardava cirurgia, internada na UTI do Hospital e Maternidade Dona Regina. A realização da cirurgia foi requerida pelo MPTO e o pedido foi deferido pela Justiça, mas o procedimento não foi realizado a tempo e a menina faleceu no quinto dia de espera pelo procedimento. A 27ª Promotoria de Justiça da Capital, que atua na defesa da saúde, levou documentos sobre o caso a promotorias de Justiça das áreas criminal e de improbidade administrativa, para que promovam apurações em suas respectivas esferas de competência.

A Defensoria Pública do Estado (DPE) também tem se manifestado no processo judicial, defendendo a suspensão da terceirização. O objetivo dos órgãos de controle é que o Estado retome a prestação direta do serviço, em caráter de transição (até que conclua a nova licitação que se encontra em andamento ou que se decida pela continuidade da execução direta).

Reunião
Além de atuar na esfera judicial, o Ministério Público do Tocantins, por meio da 27ª Promotoria de Justiça da Capital, promoveu reunião com representantes do Estado e de diversos órgãos das áreas técnica, de controle e de fiscalização para discutir soluções para os problemas recorrentes nos serviços terceirizados de UTI.

O encontro ocorreu em 29 de agosto. Na ocasião, o secretário estadual da Saúde, Paulo Benfica, informou que a SES chegou a avaliar a possibilidade de retomar a prestação direta do serviço de UTI, mas descartou a hipótese.

A partir disso, foram discutidos aspectos da licitação que se encontra em andamento, para a seleção de nova empresa terceirizada; bem como a possibilidade de rescisão do contrato com a Associação Saúde em Movimento (ASM), que executa os serviços atualmente.

A promotora de Justiça Araína Cesárea chamou a atenção para a necessidade de que o Estado defina um plano de transição para garantir a continuidade do serviço, no intervalo de mudança entre as empresas terceirizadas. Ela também pontuou que o Estado deve ficar atento à capacidade técnica das empresas que vierem a participar da nova licitação.

A representante do Ministério Público também considerou, durante a reunião, que existem falhas nos serviços de UTI em todo o Estado e que são necessárias medidas mais amplas e estruturantes. Entre elas, a realização de concurso público, já que cerca de 50% do quadro de médicos da rede estadual é formado por profissionais contratados.

Texto: Flávio Herculano – Ascom MPTO





FONTE

Tribuna do Tocantins

Recent Posts

Nota de Pesar pelo falecimento da residente jurídica Beatriz Costa Azevedo

É com profundo pesar que comunicamos o falecimento da residente jurídica Beatriz Costa Azevedo, lotada…

7 horas ago

Tribunal do Júri de Filadélfia condena réu a mais de 16 anos de prisão por homicídio qualificado

Dezesseis anos, sete meses e quinze dias de prisão é a pena aplicada ao réu…

2 dias ago

XXI Consepre encerra com a divulgação da Carta da Manaus

O Encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça e Tribunais Militares do Brasil…

2 dias ago

Corregedoria-Geral da Justiça abre Correição Geral Ordinária na Comarca de Paraíso do Tocantins

A Corregedoria-Geral da Justiça do Tocantins (CGJUS) realizou, nesta quinta-feira (13/08), a solenidade de abertura…

2 dias ago

Vara Regional das Garantias de Gurupi entra em funcionamento a partir desta segunda-feira (17/8)

Criada pela Resolução nº 19/2026, de julho deste ano, que estabeleceu mais três Varas Regionais…

2 dias ago

Sessão especial destaca importância da imprensa na promoção do turismo — Senado Notícias

Os 69 anos da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet) foram celebrados em sessão…

2 dias ago