Categories: Estado

Tribunal Pleno mantém pena de 9 anos de prisão aplicada em padrasto condenado por abusar da enteada de 13 anos


O Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça não conheceu uma Revisão Criminal em decisão unânime na sessão de quinta-feira (20/6), o que mantém a condenação de um padrasto, hoje com 66 anos,  a 9 anos de prisão pelo estupro da enteada de 13 anos, cometido em 2008.

Ao “não conhecer” da revisão criminal, os desembargadores decidiram não admitir o recurso de Revisão Criminal para examinar seu mérito (os argumentos do pedido de absolvição), por entenderem que o autor utilizou este tipo de recurso como uma nova apelação – um recurso que leva um colegiado a confirmar ou reformar uma sentença – na tentativa de reexaminar fatos e provas que levaram à condenação. 

Conforme o acórdão – a decisão colegiada-, publicada nesta segunda-feira (24/6), o padrasto foi condenado em 2011, na Comarca de Porto Nacional, sob a acusação de ter se aproveitado da condição de padrasto da vítima para cometer os abusos e oferecer R$ 1 para que ela não os revelasse. A vítima contou o que sofria para uma professora, o que levou à denúncia contra ele, que é pintor.

Ele tentou anular a condenação em uma apelação criminal, negada em 2013, pela 2ª Câmara Criminal por unanimidade, e ele teve a prisão para cumprimento da pena determinada em 2015 e cumprida em agosto de 2018, situação que permaneceu até abril deste ano, quando a defesa dele entrou com o pedido de revisão criminal, com 75% da pena cumprida.

No pedido, a defesa tentou anular a condenação ao alegar que no processo que o condenou houve a utilização de laudos produzidos em nova denúncia – de mesmo crime contra a mesma vítima-, dois anos após aquele fato que resultou na condenação. 

A utilização de laudos periciais realizados após a data do fato apurado, para outro procedimento, para justificar decreto condenatório, sendo uma prova ilegal, evidencia flagrante ilegalidade cometida, enseja a nulidade da sentença a ser revisada, alegou a defesa.

Ao julgar o caso, o relator, desembargador Adolfo Amaro Mendes, pontuou que a revisão criminal permite desconstituir uma condenação em situações excepcionais e não pode ser utilizada “como nova apelação, com vista ao mero reexame de fatos e provas”, quando não há contrariedade “à lei penal ou à evidência dos autos”, com exige o Código de Processo Penal, em seu artigo 621.

Para o relator, o réu quis reexaminar as provas amplamente debatidas na denúncia original que resultaram em sua condenação, o que é vedado em recurso de Revisão Criminal. “Não cuidou a defesa de trazer aos autos novos elementos probatórios, cingindo-se o seu pleito a lançar dúvidas acerca da materialidade do crime, questão esta devidamente enfrentada e superada no processo de origem, inclusive em sede recursal”, afirma, no voto, acompanhado por todos os juízes do Tribunal de Justiça. 

Participaram da sessão e votaram com o relator as desembargadoras Angela Issa Haonat, Etelvina Maria Sampaio Felipe, Maysa Vendramini Rosal, Ângela Prudente e Jacqueline Adorno; os desembargadores Marco  Villas Boas, Helvécio de Brito Maia Neto, João Rigo Guimarães, Pedro Nelson de Miranda Coutinho, Eurípedes do Carmo Lamounier e o juiz convocado Jocy Gomes de Almeida.



FONTE

Tribuna do Tocantins

Recent Posts

Curso discute construção de ambientes de trabalho mais seguros no Judiciário

A construção de ambientes de trabalho mais seguros, respeitosos e atentos à saúde das pessoas…

15 horas ago

Réu acusado de matar homem que tentou salvar amiga de agressão é condenado a 12 anos de prisão em Palmas

O Tribunal do Júri da 1ª Vara Criminal da Comarca de Palmas condenou, nesta quinta-feira…

16 horas ago

Acessibilidade é acolher, comunicar e garantir direitos, destaca desembargador Ricardo Tadeu em abertura de curso da Esmat

A acessibilidade no Poder Judiciário não começa apenas na rampa, no elevador ou na adaptação…

17 horas ago

Nupref/CGJUS inicia atividades em estande do Poder Judiciário na Agrotins 2026

Os visitantes da Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins), já podem receber orientação técnica…

18 horas ago

Judiciário do Tocantins realiza seminário sobre tratamento de conflitos e encontro dos Cejuscs nesta sexta-feira (15/5)

O Poder Judiciário do Tocantins, por meio da Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat), promove…

19 horas ago

Homem é condenado a 45 anos de prisão por tentativa de feminicídio e estupro da ex-companheira

O Tribunal do Júri da Vara Especializada no Combate à Violência Doméstica e Familiar Contra…

20 horas ago