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Além dos gramados a Copa do Mundo impulsiona oportunidades para pequenos negócios | ASN Tocantins


A Copa do Mundo é um espetáculo construído por estratégia, preparação, planejamento e trabalho em equipe, características que também fazem parte da rotina dos empreendedores. Enquanto as seleções disputam cada lance em campo, empresas enxergam no campeonato uma oportunidade para ampliar as vendas, atrair novos clientes e fortalecer suas marcas.

Além de um evento esportivo, a competição repercute na economia e impulsiona o consumo em diversos setores. Afinal, a mesma torcida que vibra diante da televisão também movimenta bares, restaurantes, lojas e diversos pequenos negócios, o que cria um cenário favorável para ações de marketing, promoções temáticas e novas experiências para os consumidores.

Assim, ao mesmo tempo que o campo é o palco das grandes jogadas, fora dele, vitrines, redes sociais, cozinhas e balcões se transformam em arenas onde empreendedores disputam a atenção dos clientes e buscam converter oportunidades em faturamento.

Nesse contexto, a capacidade de adaptação é determinante para os negócios. Como nos pênaltis, a identificação de tendências de consumo, o planejamento de estoque, a organização da equipe e a definição de ações de comunicação alinhadas ao perfil do público são fatores decisivos um melhor aproveitamento do período.

É o caso de Fábio Souza, proprietário do Ermenilde Restaurante, em Palmas. O empreendedor conta que a história do negócio começou na feira, a partir da necessidade de gerar renda para a família em um período em que sua mãe estava desempregada e seu pai, cadeirante, enfrentava dificuldades para ingressar no mercado de trabalho. Atualmente, o empreendimento ampliou sua atuação e oferece serviços de buffet, almoço, lanchonete, além de happy hour e jantar.

Segundo ele, é necessário que o negócio seja inovador em suas ações, então ele procura sempre participar, seja com decorações criativas, estratégias de marketing ou promoções, como é o caso desse ano. Durante a edição de 2026, o restaurante criou uma programação especial para os dias de jogos da Seleção Brasileira, entre as ações estão happy hour e ofertas de bebidas, como a venda de canecas de chopp pela metade do preço.

“Quando o Brasil ganha todos ganham, inclusive o comércio. Afinal, gera uma expectativa, que se transforma em uma oportunidade de ter mais clientes, o que aumenta o faturamento”Fábio Souza, proprietário do Ermenilde Restaurante

Para o gerente do Sebrae Tocantins, Amaggeldo Barbosa, períodos como a Copa do Mundo tendem a alterar o comportamento de consumo da população devido ao aumento do engajamento coletivo e da busca por experiências compartilhadas. Ele explica que, em momentos de grande mobilização social, como eventos esportivos de alcance global, o comportamento do consumidor muda porque as pessoas passam a valorizar mais as experiências em grupo do que o consumo individual, e o consumo deixa de ser apenas funcional e passa a ter um componente emocional e social mais forte.

“A Copa cria um ambiente de convivência e celebração que vai além do futebol. As pessoas saem mais de casa, se reúnem em grupos e buscam experiências que acompanhem esse clima de torcida. O que a gente observa é justamente isso: uma organização maior para assistir aos jogos juntos, seja em bares, restaurantes ou até em casa com amigos. Isso faz com que o consumo de alimentos, bebidas e serviços de lazer aumente de forma natural, principalmente nos horários das partidas”Amaggeldo Barbosa, gerente do Sebrae

O gerente ainda acrescenta que esse cenário cria oportunidades para os pequenos negócios, especialmente aqueles que conseguem se adaptar ao clima do evento e oferecer experiências mais atrativas ao público.

O proprietário do Ermenilde restaurante revela que em comparação ao jogo, ele sentiu mais envolvimento do público na disputa do Brasil contra o Haiti, e recebeu inclusive demandas para reserva de mesa. Fábio também confirma que o horário influência na intensidade de consumo, ele detalha que, por serem a noite, as partidas consequentemente favorecem os negócios ativos nesse período.

“No primeiro jogo fiquei receoso, porque as pessoas pareciam meio desacreditadas, mas agora percebo que a tendencia do cliente é sair cada vez mais de casa. Então eles chegam mais cedo, começam a consumir as bebidas, o que os levam a ingerir também outras coisas do cardápio, como petiscos ou o jantar. Além disso, pode acabar a transmissão, mas o cliente continua ali”, destaca.

Entretanto, apesar da mudança positiva de comportamento do consumo entre um duelo e outro, Fábio revela que em comparação a edição anterior, que ocorreu em 2022, o movimento decaiu. Ele explica que isso vem principalmente da geração z. “Tenho percebido um interesse menor dos jovens, especialmente no consumo de bebidas, por isso destaquei a promoção”, comenta.

Amggeldo esclarece isso como um caminho natural do consumidor. Ele pontua que as tendências de consumo em períodos como a Copa do Mundo estão diretamente relacionadas à forma como diferentes públicos organizam suas experiências de lazer e convivência. De acordo com o especialista, embora eventos de grande mobilização social tradicionalmente impulsionem o movimento em bares e restaurantes, o comportamento do consumidor tem se tornado mais segmentado, com escolhas influenciadas por fatores como conveniência, custo, características geracionais e formato da experiência.

“O que a gente percebe é que existe uma diversidade de comportamentos que ocorrem ao mesmo tempo. Parte do público busca os espaços físicos para assistir aos jogos e socializar, enquanto outra parcela, especialmente entre os mais jovens, tende a alternar esses momentos com experiências mais privadas, como assistir às partidas em casa com amigos, o que também movimenta o consumo, mas de outra forma”, afirma.

Segundo o gerente, esse cenário não representa uma retração do consumo, mas uma reorganização dos fluxos de demanda ao longo do evento. Em alguns casos, o movimento pode se concentrar mais em determinados formatos de encontro, e exigem maior atenção dos empreendedores em relação ao planejamento operacional e à leitura do comportamento do público.

Amaggeldo evidencia ainda que compreender o perfil do cliente é um fator determinante para a definição de estratégias mais eficazes durante esse tipo de período. “Conhecer o público-alvo é como conhecer seu torcedor. Isso permite que o empreendedor ajuste desde o tipo de oferta até a forma como se comunica. Há negócios que conseguem melhor desempenho ao investir em experiências mais longas, enquanto outros se beneficiam de ações mais pontuais e direcionadas aos horários dos jogos”, enfatiza.



Fonte

Tribuna do Tocantins

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