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Anderson Torres descarta golpe e diz que forças policiais foram insuficientes para conter manifestantes


Torres decidiu responder às perguntas dos parlamentares e esclareceu que a minuta ‘do golpe’ se trata de documento apócrifo, que não foi descartado por acidente

Marcos Oliveira/Agência Senado
Ao lado de seu advogado, Anderson Torres depõe na CPMI do 8 de Janeiro

O ex-secretário de Segurança do Distrito Federal Anderson Torres segue sob interrogatório nesta terça-feira, 8, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os atos do 8 de Janeiro. Embora tenha obtido autorização pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para permanecer calado, Torres decidiu responder às perguntas dos parlamentares e esclareceu que a minuta “do golpe” se trata de documento apócrifo que não foi descartado por acidente e que o baixo efetivo policial, apontado como um dos fatores que permitiu a invasão das sedes dos Três Poderes, foi um problema de responsabilidade da Polícia Militar do Distrito Federal.

Torres argumentou que a Secretaria de Segurança era responsável pelo planejamento da operação, inicialmente pensada para garantir a segurança dos manifestantes, não a execução. “O que o protocolo colocou para a PM: tem que cumprir; o que o protocolo colocou para a Polícia Civil: tem que cumprir. Meios, efetivos, número de homens, é com cada instituição”, explicou o ex-secretário. Em sua primeira manifestação pública após os atos — e os quatro meses nos quais ficou preso acuso de leniência os fatos —, Torres negou ter participado de qualquer planejamento para os atos e que havia assinado um Protocolo de Ações Integradas (PAI), que, caso cumprido, “seríamos poupados dos lamentáveis atos do dia 8 de Janeiro”.

Torres foi criticado à época por ter viajado de férias para os Estados Unidos, no dia 6 de janeiro. Ele alega se ausentou do Brasil “tranquilo” porque não tinha informações sobre risco de ação radical em Brasília, uma vez que recebeu informações do Comandante Militar do Planalto, general Dutra, de que o acampamento em frente ao Quartel General estava “praticamente desmontado”. Ele também descartou ter recebido informações da Abin (Associação Brasileira de Inteligência), contradizendo informações do ex-diretor da agência Saulo Moura da Cunha.

Torres destacou, em inúmeras afirmações, que faltaram policiais para conter os manifestantes no episódio. Para a relatora do colegiado, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), as declarações revelam “jogo de responsabilidade” entre as autoridades que atuavam no comando da segurança à época. Por isso, ela também ameaçou pedir acareação entre Torres e Leandro Almada, que chefiava a superintendência da Polícia Federal na Bahia. À época dos atos, Almada acusou Torres de orientar ações da PF no Estado e de influenciar a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para realizar blitze no segundo turno das eleições, o que o ex-ministro negou à CPMI. “Fica um jogo de responsabilidade e o que a gente vê é o cenário que acompanhamos, de destruição das sedes dos poderes do país”, afirmou Eliziane.

Minuta de golpe

Anderson Torres chamou de “fantasiosa” e de “aberração” a suposta “minuta de golpe de Estado” que foi encontrada entre os seus documentos pessoais. Torres permaneceu preso por quatro meses acusado de ser omisso em relação aos atos que culminaram na invasão aos prédios dos Três Poderes. “Durante uma operação de busca e apreensão em minha casa, a polícia encontrou um texto apócrifo, sem data, uma fantasiosa minuta, que vai para a coleção de absurdos que constantemente chegam aos detentores de cargos públicos. Vários documentos vinham de diversas fontes para que fossem submetidos ao ministro. Um desses documentos deixado para descarte foi um texto chamado de ‘minuta do golpe’. Basta uma breve leitura para que se perceba ser imprestável para qualquer fim. Uma aberração jurídica”, afirmou em seu pronunciamento inicial à CPMI.

Em outro momento, o ex-secretário disse que “nunca questionou” o resultado das eleições conquistadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura os atos de 8 de Janeiro. “Fui o primeiro ministro a receber a equipe de transição. No caso, o atual ministro Flávio Dino, que seria meu sucessor. Entreguei relatórios, agi de forma transparente, sempre no sentido de facilitar. Durante a transição, não foi registrado qualquer contratempo e tudo ocorreu dentro da normalidade em relação ao Ministério da Justiça”, declarou Torres.





FONTE

Tribuna do Tocantins

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