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Associação de médicos diz que resolução do CFM sobre anabolizantes pode levar pacientes ao mercado clandestino


Conselho Federal de Medicina proibiu médicos de prescreverem hormônios para pacientes em tratamentos estéticos

Pixabay / Pavel-Jurca
CFM proibiu prescrição médica de anabolizante para fins estéticos

A Associação Brasileira de Médicos com Expertise em Pós-Graduação (Abramepo) avaliou que a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), que proibiu médicos de prescreverem hormônios para pacientes em tratamentos estéticos, pode levar este público ao mercado clandestino. De acordo com o presidente da entidade e professor titular da Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Eduardo Costa Teixeira, a proibição do CFM traz mais riscos que benefícios aos pacientes. “Esses medicamentos prescritos também são legais e aprovados pela Anvisa para uso em humanos, portanto, deve ser considerado nulo qualquer impedimento que não venha das autoridades do país e com base científica. Proibir vai fazer com que milhares de pacientes que hoje já fazem o uso acompanhado de esteroides, busquem a automedicação e o mercado clandestino, o que é muito mais perigoso para a saúde pública”, alerta Eduardo. O médico Advides Ingre, pós-graduado em Endocrinologia e Metabologia, reforça o risco dizendo que a resolução vai incentivar a automedicação. “Muita gente vai recorrer ao mercado clandestino e aí está o perigo. O médico é o profissional mais qualificado para fazer a prescrição dos anabolizantes, que em casos específicos podem, sim, trazer resultados positivos. Deixar isso nas mãos de outros profissionais ou até mesmo que o próprio paciente se automedique é muito mais perigoso”, opina. Ingre diz que é possível fazer o uso seguro dessa classe de medicamentos e defende um debate amplo sobre o tema por parte da comunidade científica. “Quando um tratamento é prescrito por um médico, há todo um acompanhamento para definir a dosagem segura e uma série de rastreamentos para evitar as complicações. Quando se tira do médico a possibilidade de prescrição, aumenta-se muito o uso de forma ilícita. Os pacientes que já fazem esses tratamentos não vão parar, mas vão perder o acompanhamento seguro que só um médico pode oferecer”, comenta. O profissional da saúde ainda avisa que o uso de anabolizantes sem acompanhamento médico pode resultar em um risco maior de desenvolver câncer de próstata, aumento do colesterol e complicações cardíacas. “Antes de prescrever o medicamento, os médicos solicitam uma série de exames para verificar se o paciente tem condição de fazer o tratamento de forma segura. Além disso, são feitos exames periódicos para se certificar de que o tratamento está transcorrendo sem efeitos adversos. Quando o paciente recorre ao mercado clandestino, é provável que o outro profissional não tenha esses cuidados e esse é o grande perigo”, acrescenta o médico.

Para derrubar a resolução do CFM, um projeto de decreto legislativo será apresentado na Câmara dos Deputados pelo parlamentar Fernando Rodolfo (PL-PE). O texto foi anunciado após a Abramepo informar que não cabe ao Conselho Federal de Medicina legislar sobre o ato médico. “Quem dita as regras para o exercício da medicina são as autoridades do país, como a Anvisa e o Ministério da Saúde. O CFM tem o que chamamos de ‘poder de polícia’, ou seja, ele fiscaliza a legislação criada pelos deputados e regulamentada pelos órgãos do Executivo, mas não tem poder de criar ‘leis próprias’ por meio de resoluções ilegais”, explicou o presidente da associação, Eduardo Teixeira. O site da Jovem Pan procurou o CFM para comentar sobre o caso e aguarda o posicionamento.

 





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Tribuna do Tocantins

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