Atualmente a divisão é delimitada em grande parte por cercas de madeira destinadas a impedir a passagem de gado e, segundo autoridades finlandesas, o objetivo do muro é aumentar a segurança na região e impedir a entrada em massa de imigrantes
A Finlândia começou a construir um muro de 200 km de extensão em um trecho de sua fronteira com a Rússia. Os dois países dividem a maior fronteira de toda a União Europeia, com 1.340 km. Atualmente a divisão é delimitada em grande parte por cercas de madeira destinadas a impedir a passagem de gado. Segundo autoridades finlandesas, o objetivo é aumentar a segurança na região e impedir a entrada em massa de imigrantes russos. Em entrevista à Jovem Pan News, o professor de Relações Internacionais, Pedro Costa Júnior, explicou como questões que envolvem a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) levaram à essa medida finlandesa: “A ideia do muro vem depois do início da guerra na Ucrânia, depois dos problemas com relação à entrada, ou não, dos países na Otan, do pedido de ingresso da Ucrânia de Zelensky e do pedido da própria Finlândia, que acompanha o pedido da Suécia, também para a entrada na Otan, que também precisa ver como será a reação russa, que não foi muito clara. E esse muro vai exatamente nesse sentido”. O muro será erguido na área mais densa e arborizada da fronteira, feito de metal, com três metros de altura e arame farpado no topo. O professor ressaltou que o muro tem valor mais simbólico do que prático.
“Sendo a Rússia a enorme potência que ela é, em termos militares, tendo um muro que separe ela de um país como a Finlândia, ou a Suécia, ou, por exemplo, a própria Ucrânia, esse muro só tem puro e simplesmente um valor simbólico. Nada mais do que isso”, ressaltou. Considerada um dos países mais prósperos do mundo, a Finlândia tem sido procurada por refugiados ucranianos e também por russos que tentam escapar do recrutamento militar obrigatório. Tal situação, segundo Costa Júnior, cria um paradoxo que ajuda a justificar a criação do muro: “Há uma dificuldade, por parte da Finlândia, em recebê-los. Daí a ideia do muro. Trata-se de um país que, paradoxalmente, é muito próspero e teria condições de fazê-lo. Esse é o paradoxo por cima do muro. É também um país que é conhecido, entre os países daquela região nórdica, por ser um país com instituições democráticas muito fortes. É um conjunto de contradições que cercam essa questão agora”.
*Com informações do repórter Victor Moraes
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