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Lula diz que Zelensky ‘não pode querer tudo’, mas Ucrânia descarta ceder Crimeia pelo fim da guerra


Em encontro com jornalistas no Palácio do Planalto, o presidente ainda declarou que pretende abordar o tema com Xi Jinping, em sua viagem da próxima semana à China

EVARISTO SA / AFP


Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante café da manhã com a imprensa, realizado nesta quinta-feira, 06, no Palácio do Planalto

Durante um encontro com jornalistas no Palácio do Planalto nesta quinta-feira, 6, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky “não pode querer tudo” e ainda propôs a criação de um grupo de países para mediar o conflito no Leste Europeu. Lula sugeriu que poderia ser discutido que a Ucrânia ceda o território da península da Crimeia, anexada por Moscou ao território russo em 2014. Na tentativa de posicionar o Brasil como mediador de um diálogo internacional, o presidente propôs reunir países para intermediar as negociações e disse estar convencido de que, tanto a Ucrânia, quanto a Rússia, esperam que alguém de fora promova um diálogo pelo cessar-fogo: “Por que não criam um grupo de países para discutir a paz? A Europa, que sempre foi o caminho do meio. A China tem peso, o Brasil tem peso, acho que a Indonésia pode participar, acho que a Índia pode participar. Vamos lá conversar com o Putin, vamos conversar com o Zelensky, vamos conversar com o Biden. Vamos tentar ver se encontramos um grupo de pessoas que não se conforme com a guerra”.

“Putin não pode ficar com o terreno da Ucrânia. Talvez se discuta a Crimeia. Mas o que ele invadiu de novo, tem que se repensar. O Zelensky não pode querer tudo. O mundo precisa de tranquilidade”, afirmou o presidente. Lula ainda declarou que pretende abordar o tema com o presidente Xi Jinping, em sua viagem da próxima semana à China, e propor que o líder chinês converse com o presidente russo Vladimir Putin, para pedir o fim da guerra. Segundo o presidente, a importância econômica, militar e política da China, sua relação com a Rússia e até mesmo a divergência com os Estados Unidos dariam ao país asiático um potencial extraordinário para negociar.

Entretanto, o Kremlin já descartou uma possível mediação chinesa e pretende continuar o que eles chamam de “operação militar”. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, que virá ao Brasil no dia 17 de abril, disse que as negociações de paz na Ucrânia só seriam possíveis se visassem estabelecer uma nova ordem mundial sem o domínio estadunidense. Nesta sexta-feira, 7, o porta-voz da diplomacia ucraniana, Oleg Nikolenko, informou que o país não desistiria da Crimeia em troca do fim da guerra pois não haveria razão legal, política ou moral que justificasse esta solução e destacou que “quaisquer esforços de mediação para restaurar a paz na Ucrânia devem basear-se no respeito pela soberania e na plena restauração da integridade territorial da Ucrânia, de acordo com a Carta das Nações Unidas”.

*Com informações da repórter Katiuscia Sotomayor





FONTE

Tribuna do Tocantins

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