Categories: Mundo

Pior seca em 60 anos desfere duro golpe na economia da Argentina


Falta de chuvas no país é sentida desde meados de 2022, ano 12,8% mais seco que a média

Dirceu Portugal/Fotoarena/Estadão Conteúdo – 12/01/2019Campo de platação de soja afetada por seca

A seca que atinge a produção agropecuária da Argentina, a mais severa dos últimos 60 anos, já está repercutindo na economia do país, com quedas nas exportações e menor receita de impostos. A falta de chuvas se faz sentir nos férteis e vastos campos argentinos desde meados de 2022, ano 12,8% mais seco que a média, em um quadro climático que persiste neste verão, com os registros térmicos mais extremos das últimas seis décadas e fortes geadas. De acordo com o último relatório da Mesa Nacional de Monitoramento de Secas da Argentina, na atividade agrícola há fortes perdas de rendimento, atrasos e diminuição da área final plantada com milho e soja, além de o fenômeno também estar surtindo forte impacto nos sistemas pecuários. As chuvas insuficientes afetam 172,5 milhões de hectares agropecuários, sendo 8 milhões de hectares cultivados com seca moderada a severa e 21,7 milhões de cabeças de gado em risco, um cenário difícil para um dos principais países produtores e exportadores de alimentos do mundo e que baseia boa parte da sua economia no setor.

Em janeiro, as exportações caíram 11,7% em relação ao mesmo período do ano anterior devido às menores vendas de trigo, biodiesel, milho e óleo de girassol, evidenciando o impacto que a estiagem já teve nas lavouras do ano passado. Também em janeiro, o déficit fiscal disparou, com queda em termos reais da arrecadação de impostos sobre exportações agrícolas devido à seca. Segundo cálculos do Instituto de Estudos sobre a Realidade Argentina e Latino-Americana (IERAL), da Fundação Mediterrâneo, as exportações agropecuárias argentinas totalizarão cerca de US$ 37,8 bilhões em 2023, com uma queda de US$ 8,4 bilhões em relação a 2022, embora a queda possa ser de US$ 6,5 bilhões se a seca perder força ou de US$ 10,1 bilhões se o clima piorar.

Na frente fiscal, a Argentina arrecadaria US$ 7,6 bilhões este ano por direitos de exportação agropecuária, com uma queda de US$ 2,05 bilhões em relação a 2022, mas essa pode ser de US$ 1,5 bilhão se as condições climáticas melhorarem ou de US$ 2,4 bilhões se piorarem. Essa é uma má notícia para um país que este ano precisa cumprir metas exigentes para reduzir o déficit fiscal e acumular reservas monetárias comprometidas no acordo assinado em 2022 com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Especialistas concordam que a seca abalará a atividade econômica argentina, que já dá sinais de arrefecimento desde os últimos meses de 2022.

*Com informações da EFE





FONTE

Tribuna do Tocantins

Share
Published by
Tribuna do Tocantins

Recent Posts

TJTO apresenta novos painéis para aprimorar gestão orçamentária e acompanhamento de auditorias

O Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) conta com duas novas ferramentas de gestão: os…

31 minutos ago

TJTO homologa resultado final do concurso para juiz substituto

O Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) homologou o resultado final do VI Concurso Público…

3 dias ago

TJTO participa da 23ª Reunião da Câmara Nacional de Gestores de Precatórios em Teresina

O Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) participou da 23ª Reunião da Câmara Nacional de…

3 dias ago

Em Natividade, CGJUS encerra ciclo de Correições Gerais Ordinárias da gestão 2025/2027

Diálogo, orientação e busca conjunta por soluções para aprimorar os serviços prestados à população marcaram…

3 dias ago

Coleta Seletiva Solidária chega à Comarca de Miracema do Tocantins

A Comarca de Miracema do Tocantins foi a 13ª a receber o Projeto Coleta Seletiva…

3 dias ago

3º Seminário Automotivo reúne reparadores para fortalecer gestão em Paraíso | ASN Tocantins

Para uma oficina crescer, conhecimento técnico precisa caminhar junto com uma boa gestão, por isso,…

3 dias ago