Categories: Estado

Portal do Ministério Público Estadual do Tocantins


O Ministério Público do Tocantins (MPTO) propôs denúncia criminal contra um empresário agrícola do município de Lagoa da Confusão, acusando-o de desmatar ilegalmente 634 hectares da vegetação nativa que deveria compor a Reserva Legal do imóvel rural.

A denúncia narra que o produtor vem utilizando esta área ambientalmente protegida para promover o cultivo agrícola há cerca de uma década. Dessa forma, estaria impedindo a regeneração da vegetação, mantendo uma situação de crime permanente e priorizando uma atividade extremante lucrativa em detrimento do interesse coletivo de conservação dos recursos naturais.

A atividade agrícola na área desmatada ilegalmente gera uma movimentação financeira anual de cerca de R$ 1,8 milhão, considerando-se a produtividade média da cultura da soja, o rendimento de sacas por hectare e o preço mínimo de cada saca, segundo dados públicos analisados pelo Centro de Apoio Operacional de Habitação, Urbanismo e Meio Ambiente (Caoma) do MPTO.

Ainda é acrescentado que a atividade criminosa tem sido mantida de forma consciente pelo produtor, uma vez que existem procedimentos anteriores do MPTO alertando sobre a ilegalidade. Também há notas técnicas do Instituto Natureza do Tocantins (Nauratins) reconhecendo que o imóvel se encontra em desconformidade com o Código Florestal, no que se refere à manutenção de sua Área de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal.

Pagamento de reparação
Diante destes fatos, o MPTO requer que o empresário agrícola seja condenado a pagar R$ 5.724.265,68 a título de reparação civil, para a garantia da recuperação da vegetação nos 634 hectares desmatados ilegalmente.

O valor foi calculado pelo Caoma, considerando a área desmatada e o custo médio de restauração do hectare definido pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da Universidade de São Paulo (USP).

Bloqueio de bens
A denúncia do MPTO requer a concessão de liminar que bloqueie os bens do empresário agrícola em R$ 1,8 milhão, valor calculado a título de indenização mínima dos danos coletivos em relação à safra de 2023.

De acordo com o levantamento do Caoma, a área plantada no empreendimento agrícola vem crescendo e alcançou a 1.576 hectares em 2022. Em consulta ao Sistema de Informação para a Gestão do CAR (Cadastro Ambiental Rural), foi verificado que o imóvel rural não possui nenhuma área de Reserva Legal declarada.

A denúncia foi proposta pela Promotoria Regional Ambiental do Araguaia.





FONTE

Tribuna do Tocantins

Recent Posts

Comissão de Logística Sustentável do TJTO reforça conscientização ambiental em visitas aos gabinetes

Dando continuidade às ações da Semana da Reciclagem, a Comissão Gestora do Plano de Logística…

10 horas ago

Poder Judiciário encerra atividades na Agrotins 2026 com mais de 300 atendimentos

O Poder Judiciário do Tocantins encerra suas atividades nesta sexta-feira (15/5) na Feira de Tecnologia…

11 horas ago

TJTO compartilha experiência na construção do Plano de Contingência Socioambiental com STJ e tribunais de todo o país

Em um importante momento de cooperação e intercâmbio institucional, o Tribunal de Justiça do Tocantins…

12 horas ago

CGJUS recebe programação da V Semana Nacional de Combate ao Assédio promovida pelo TJTO

Reflexão, escuta e diálogo marcaram o encerramento da programação da V Semana Nacional de Combate…

14 horas ago

Sebrae leva governança e desenvolvimento territorial para o centro da Agrotins 2026 | ASN Tocantins

Em meio à movimentação intensa da Agrotins 2026, o estande do Sebrae Tocantins se consolidou…

15 horas ago

Sebrae reforça gestão profissional no campo durante simpósio sobre eficiência da pecuária na Agrotins | ASN Tocantins

O avanço da tecnologia e as mudanças no mercado da pecuária exigem uma nova postura…

15 horas ago