Putin sanciona lei que persegue russos que não querem servir o Exército


Quem não se apresentar ao Exército pode ser impedido temporariamente de abrir um negócio, tirar carteira de motorista, comprar imóveis ou solicitar empréstimo bancário

EFE/EPA/GAVRIIL GRIGOROV / SPUTNIK / KREMLIN POOL MANDATORY CREDIT

Vladimir Putin pretende corrigir erros do início da guerra

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, sancionou nesta sexta-feira, 14, uma lei que persegue homens em idade militar que não querem servir o Exército, como recrutas ou reservistas, em meio às operações militares da Rússia na Ucrânia. A lei, aprovada nesta semana por ambas as casas do Parlamento russo – Duma e Senado – proíbe que os convocados deixem o país desde o momento em que recebem a notificação até se apresentarem ao local do alistamento. Os russos têm duas semanas para se apresentarem depois de terem sido notificados por escrito ou por via eletrônica. Além disso, caso não se apresentem ao centro de alistamento no prazo de 20 dias, serão temporariamente impedidos de abrir um negócio, obter uma carteira de habilitação, comprar imóveis ou solicitar um empréstimo bancário. O documento também cria um registro eletrônico único de homens em idade militar, de modo que ninguém possa argumentar que não há qualquer registro de terem recebido a comunicação oficial na sua conta pessoal no portal dos serviços públicos. Embora muitos russos tenham cancelado a inscrição neste site administrativo, os autores da lei advertiram que a eliminação da conta não isenta ninguém de informar os comissários militares.

Como resultado, muitos russos se apressaram nesta semana para colocar os seus bens, desde imóveis a carros, em nome das suas esposas e de outros membros da família. De acordo com os autores, a lei é uma tentativa de corrigir os muitos erros cometidos durante a mobilização de Putin, a primeira ordenada pelo Kremlin desde a invasão nazista à União Soviética em 1941. No entanto, o verdadeiro objetivo, segundo muitos jornais, é evitar uma repetição do êxodo de centenas de milhares de russos que ocorreu quando o presidente decretou a mobilização parcial em setembro de 2022. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, negou nesta semana que a aprovação desta lei prepare o caminho para uma segunda mobilização, embora a dúvida permaneça. No ano passado, Putin convocou 300 mil reservistas, mas um dos pontos do decreto é secreto, o que abre a porta a uma nova campanha de mobilização. Além disso, o Ministério da Defesa anunciou planos para aumentar o número de efetivos no Exército para 1,5 milhão, além do fato de que a partir de agora os homens com idades entre 21 e 30 anos terão de fazer o serviço militar obrigatório, em vez de 18 a 27, como no passado.

No início deste mês, o portal independente russo “Mediazona” e o serviço de língua russa da “BBC”, juntamente com uma equipe de voluntários, deram os nomes e sobrenomes de 19.688 russos mortos na Ucrânia. Entretanto, de acordo com documentos divulgados pelo serviço secreto dos EUA na imprensa, o Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) “estima que o número real de russos mortos e feridos se aproxime dos 110 mil”. O último número oficial de mortos do lado russo é de 5.937 e foi fornecido pela Defesa em 21 de setembro do ano passado.

*Com informações da EFE





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Tribuna do Tocantins

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