Categories: Estado

Simpósio destaca busca de soluções para minimizar judicialização na saúde


Quando uma pessoa não consegue acesso a um tratamento médico necessário pelos meios tradicionais (hospitais, clínicas e postos de saúde), ela pode recorrer à justiça. No Brasil, a judicialização da saúde tem sido um tema de crescente debate público. Exemplificando essa discussão, o Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (TJTO), por meio da Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat), realizou, nesta sexta-feira (7/6), o II Simpósio “O Direito e a Saúde: em foco a judicialização da saúde”.

Abertura

Na abertura do evento, o desembargador Marco Villas Boas, diretor geral da Esmat e presidente do Colégio Permanente de Diretores de Escolas Estaduais da Magistratura (Copedem), destacou que o simpósio é uma excelente oportunidade para debater os problemas da saúde suplementar e pública.

Em sua fala, ressaltou que essas questões trazem complexidade para a jurisdição e demandam ampla discussão, resultando em situações dramáticas, insólitas ou de fácil solução.

“Esse diálogo com a sociedade em geral é muito significativo para o Poder Judiciário. É importante dialogar com operativos, médicos, empresas de saúde suplementar, encontrar soluções adequadas, e com os usuários de planos de saúde”, afirmou.

Reflexão

O sistema de saúde, tanto público quanto privado, nem sempre atende a todas as demandas da população devido à falta de recursos, burocracia, limitações orçamentárias e/ou falhas administrativas. Isso resulta em um papel crescente do Judiciário na efetivação do direito à saúde, exigindo uma ação mais coordenada e estratégica. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o número de processos continua crescendo. Logo, surge a necessidade de avaliar se algo deve ser mudado ou se é possível aperfeiçoar o modo de tratar o problema. 

Nesse sentido, o desembargador Marco apontou que o objetivo do simpósio não é defender planos de saúde ou empresas, mas encontrar soluções úteis que evitem a judicialização.

“Queremos encontrar saídas que sejam úteis para resolver o problema e até mesmo evitar a judicialização, seja pela melhoria das atividades de governança das próprias empresas, dos planos de saúde no diálogo com a coletividade, com os usuários, com o Poder Judiciário, com o Ministério Público, com advogados, enfim, com todos os agentes que participam disso, ninguém está excluído”, argumentou.

O desembargador Pedro Nelson de Miranda Coutinho, presidente do comitê gestor da política de atenção integral à saúde de magistrados e servidores e coordenador do evento, comentou sobre a importância de preservar os princípios que garantem um mínimo de dignidade nos atendimentos de saúde. 

“Nem todos nós temos um plano de saúde, e existem enormes diferenças entre a saúde que o Estado deve prover e a saúde que um plano de saúde deve prover. Devemos resguardar esses princípios para que tenhamos um mínimo de dignidade humana nos atendimentos que recebemos”, frisou.

Ao encerrar a solenidade de abertura, o desembargador Pedro Nelson concluiu que a oportunidade para debate no evento proporcionará subsídios valiosos para julgar e analisar questões relacionadas à saúde suplementar.

O Simpósio, realizado no auditório do TJTO, proporcionou e continuará a proporcionar um espaço de discussão, reflexão e análise crítica sobre a judicialização da saúde suplementar, visando identificar desafios e soluções para o setor e contribuir para a melhoria da gestão, regulação e acesso aos serviços de saúde. 

A programação do Evento segue durante o período da tarde com outras palestras.

Clique aqui para mais informações.

Presenças

Além das autoridades citadas acima, marcaram presença: a desembargadora Ângela Prudente, vice-presidente do Tribunal de Justiça; o doutor Gedeon Pitaluga Júnior, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins –; Representando a Defensoria Pública do Estado do Tocantins, o coordenador do Núcleo Especializado de Defesa da Saúde (NUSA), o doutor Freddy Alejandro Solorzano Antunes; o juiz Allan Martins Ferreira, presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Tocantins.



FONTE

Tribuna do Tocantins

Recent Posts

No ano da Copa, Cafu transforma histórias do futebol em inspiração para empreendedores | ASN Tocantins

“Ver o Cafu foi muito bom porque meu sonho é ser jogador e quero um…

11 horas ago

Poder Judiciário do Tocantins debate ações de combate à violência contra mulheres no CNJ

A coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid),…

23 horas ago

Projeto Alvorada Sustentável encerra ação com entrega de bicicletas a estudantes

"Meu pai passava até uma hora da manhã, às vezes até mais, organizando as doações.…

24 horas ago

Judiciário do Tocantins atua em regime de plantão nesta quinta e sexta-feira (4 e 5/6)

O Poder Judiciário do Tocantins atuará em regime de plantão nesta quinta e sexta-feira (4…

1 dia ago

Decisão da Vara da Fazenda garante redução de jornada pela metade para servidora municipal cuidar de filho com autismo

Uma professora da rede municipal de ensino da capital teve reconhecido pela 1ª Vara da…

1 dia ago

TJTO realiza seminário sobre Resíduos Sólidos nesta segunda-feira (8/6)

Nesta segunda-feira (8/6), o Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (TJTO), por meio da…

1 dia ago