O colorido dos brinquedos e gestos de cuidado marcaram a entrega de 110 itens arrecadados na campanha solidária do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) ao Centro de Atendimento Integrado 18 de Maio (CAI), em Palmas, nesta quinta-feira (12/03). Com o tema “Onde a escuta acolhe, o brincar floresce”, a ação reuniu profissionais da rede de proteção e fortaleceu o atendimento humanizado a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência.
“É fundamental que a criança ou adolescente que chegue ao Centro encontre um espaço acolhedor, com brinquedos e materiais lúdicos. Brincar é a linguagem da infância e, muitas vezes, é por meio dessas atividades que eles conseguem se expressar e desenvolver um sentimento de confiança e segurança durante o atendimento”, destacou a gestora do Projeto Escuta Especializada e psicóloga do Grupo Gestor das Equipes Multidisciplinares do Tribunal de Justiça (GGEM/TJTO), Izabella Ferreira.
A programação contou também com capacitação em formato de roda de conversa, conduzida pela psicóloga Júlia Ruffo Aires de Sena, e plantio de flores, por simbolizar a própria campanha e o cuidado com o ambiente e com as crianças atendidas.
Campanha
Na primeira etapa da campanha “Onde a escuta acolhe, o brincar floresce”, foram arrecadados brinquedos, jogos, livros educativos e de colorir, além de materiais de papelaria destinados ao Centro de Atendimento Integrado 18 de Maio (CAI), em Palmas.
A mobilização continua, e quem quiser contribuir pode doar um desses itens em um dos pontos de coleta instalados na sede do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), no Anexo I, na Corregedoria-Geral da Justiça e na Escola Superior da Magistratura Tocantinense (Esmat). As doações podem ser feitas até a próxima segunda-feira (16/3).
“Quero agradecer a cada pessoa que participou, que contribuiu, que tem contribuído nessa campanha. Doar representa muito mais do que um objeto, simboliza o cuidado, a sensibilidade e o nosso compromisso coletivo com a proteção da infância e juventude”, enfatizou Izabella Ferreira.
A coordenadora do CAI, Dayana Bindala, falou da importância da ação. “Essa campanha do TJ, junto com a escuta especializada, é maravilhosa, porque a nossa luta aqui é justamente deixar o ambiente mais acolhedor, mais bonito, porque criança é isso, criança é o que vê”, pontuou Dayana Bindala.
Roda de conversa
Durante a roda de conversa, a psicóloga Júlia Ruffo destacou o brincar como ferramenta de cuidado, capaz de ajudar a reconstruir caminhos.
“Hoje abordei sobre a importância do brincar, que é um instrumento de trabalho, um recurso terapêutico que a gente usa em vários espaços. E, como muitas das crianças ainda não conseguem se expressar através da fala como os adultos, a gente usa o brincar para isso.”
Para a psicóloga Daniele Teixeira, que atua no CAI, o momento trouxe novas perspectivas para o trabalho cotidiano da equipe.
“Foi excelente, de fundamental importância para nossa formação. A gente está o tempo todo na assistência, no cuidado, e aí, quando vem alguém e apresenta e traz o brincar como uma ferramenta também de trabalho, isso vem a somar bastante com a nossa prática.”
CAI
O Centro de Atendimento Integrado 18 de Maio (CAI), em Palmas, único do Tocantins, é uma unidade especializada que oferece acolhimento humanizado, escuta protegida e atendimento multidisciplinar a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência.
Fundado em 2021, o Centro já atendeu, até esta quinta-feira (12/3), 2.181 demandas. Somente no ano passado, foram 606 pessoas atendidas, das quais 293 eram crianças e adolescentes.
O CAI integra diversos serviços em um único espaço, entre eles a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, uma unidade do Instituto Médico Legal (IML), a escuta especializada e a delegacia de vulneráveis.
“O usuário que nos procura não precisa ficar perambulando na rede. Se ele precisa fazer um boletim de ocorrência, tem a delegacia aqui no prédio; se precisar fazer um exame no IML, é direcionado para o setor; se precisar ir para a escuta, ele já vai para a escuta; e, se precisar de atendimento da rede de proteção, os próprios órgãos daqui já encaminham, evitando que as vítimas precisem percorrer vários locais em busca de atendimento”, disse a coordenadora do CAI, Dayana Bindala.