NAPsi reforça o cuidado com a saúde mental de magistrados(as) e servidores(as)
Cuidar da saúde mental é cuidar da base que sustenta todas as outras dimensões da vida. É ela que nos ajuda a atravessar desafios, a fazer escolhas mais conscientes e a manter o equilíbrio diante das exigências do cotidiano pessoal e profissional. Em janeiro, mês que simboliza recomeços, planos e novas possibilidades, esse cuidado ganha ainda mais significado com a Campanha Janeiro Branco.
A iniciativa convida à reflexão sobre o bem-estar emocional e psicológico. É importante lembrar que metas como iniciar uma atividade física, melhorar hábitos de vida, investir em aprendizado ou fortalecer relações só se tornam plenamente possíveis quando a mente também está saudável.
O simbolismo do mês e da cor que dá nome à campanha reforça essa proposta. O branco representa a junção de todas as cores, a luz visível. Assim como é possível escolher as cores para o ano que se inicia, também é possível definir o tom, a energia e a vivacidade com que se deseja viver a partir de escolhas mais conscientes e do autocuidado com a saúde mental.
Segundo o psiquiatra Wordney Carvalho Camarço, integrante do Núcleo de Acolhimento e Acompanhamento Psicossocial (NAPsi) do Tribunal de Justiça do Tocantins, o Janeiro Branco tem um papel complementar a outras campanhas de conscientização.
Autocuidado e autorresponsabilidade
“Temos duas campanhas importantes ao longo do ano: o Setembro Amarelo e o Janeiro Branco. O Setembro Amarelo é específico para a prevenção do suicídio. Já o Janeiro Branco trabalha a saúde mental de forma mais ampla, chamando a atenção para o autocuidado e para a autorresponsabilidade. Cuidar da saúde mental não é responsabilidade de terceiros; é um compromisso que começa em cada um de nós”, destaca.
O psiquiatra explica que assumir essa postura é fundamental para prevenir o adoecimento psicoemocional. “Se não adotarmos atitudes saudáveis, se não refletirmos criticamente sobre comportamentos que não nos fazem bem, a conta vai chegar. Não tem jeito. A saúde mental vai cobrar de nós pela falta de compromisso que tivemos com ela”, ressalta
“Muitas vezes, colocamos toda a responsabilidade do cuidado em pessoas – amigos e familiares – instituições ou serviços de saúde. Mas, na verdade, precisamos assumir o protagonismo desse processo”, observa Camarço.
Ele chama atenção ainda para a dinâmica da produtividade a todo custo que tem marcado a sociedade contemporânea e o mundo do trabalho. “De acordo com a escola filosófica de Frankfurt, nós vivemos sob uma lógica instrumental, onde somos exigidos a sermos de alto rendimento permanentemente, com foco na produtividade a qualquer custo, como se fosse realmente possível produzir no máximo o tempo todo. Isso não é real. Todos temos limites. Quando acreditamos que o baixo rendimento é sempre falha individual, ignorando o contexto de sobrecarga e adoecimento, acabamos chancelando um futuro de esgotamento mental”, alerta.
Nesse cenário, o psiquiatra recorre ao conceito da “Sociedade do Cansaço”, desenvolvido pelo filósofo Byung-Chul Han, para explicar o adoecimento silencioso que se instala. “Hoje não precisamos mais de alguém nos vigiando. Nós nos tornamos nossos próprios vigilantes e algozes. Consumimos excessivamente redes sociais, informações desnecessárias, temos dificuldade de desacelerar e de ficar em solitude. Isso gera cansaço mental, que é bem diferente do cansaço físico. O físico se recupera com descanso; o mental, não. Ele é resultado de anos de comportamentos inadequados em relação ao cuidado com a mente”, pontua.
Estratégias de prevenção
Entre as estratégias de prevenção e promoção da saúde mental, o médico reforça a importância da atividade física, da alimentação saudável, do estabelecimento de limites e do direito de dizer não.
Entre os temas centrais do Janeiro Branco estão o fortalecimento da resiliência, a construção de redes de relações saudáveis e a prática constante do autocuidado, elementos essenciais para lidar de forma positiva com as adversidades do dia a dia.
Promoção da saúde mental
No âmbito institucional, o Tribunal de Justiça do Tocantins mantém, desde 2020, o Núcleo de Acolhimento e Acompanhamento Psicossocial (NAPsi), um espaço permanente e especializado dedicado à promoção da saúde mental de magistrados(as) e servidores(as). Em pouco mais de cinco anos de atuação, o Núcleo já realizou 10.216 atendimentos e intervenções coletivas, consolidando-se como uma estrutura essencial de cuidado dentro do Judiciário tocantinense.
Somente em 2025, foram realizados 2.391 atendimentos individuais, nas modalidades presencial e on-line, além de ações interventivas em grupo na Capital e no interior. Atualmente, quatro grupos terapêuticos estão em andamento, e a perspectiva para 2026 é a implantação de mais quatro grupos, tanto em Palmas quanto em comarcas do interior.
O NAPsi também presta suporte técnico contínuo a diversas comissões e comitês institucionais, como o Comitê Gestor de Atenção Integral à Saúde de Magistrados e Servidores, a Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, Sexual e da Discriminação (CASSEDIO), a Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão (CPAI), a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID/PAHS) e a Ouvidoria da Mulher, contribuindo de forma qualificada para o atendimento das diferentes demandas institucionais.
O Núcleo atua de forma multiprofissional e interdisciplinar, com equipe composta por seis psicólogos(as), uma assistente social, um psiquiatra, uma estagiária e uma assistente administrativa. Entre seus princípios estão a procura espontânea, o sigilo absoluto e a privacidade, a universalidade do atendimento, a atuação em espaço físico apartado das unidades judiciais e a não interferência em questões administrativo-institucionais. São oferecidos atendimentos clínicos individuais e em grupo, acompanhamento psicossocial, avaliação e orientação social, programas de saúde ocupacional, além de palestras, cursos, treinamentos, eventos e campanhas educativas.



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