“Estamos cuidando do solo onde a própria justiça germina”, afirma desembargadora Ângela Prudente durante Encontro de Gestão Socioambiental
A necessidade de preparar instituições para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e fortalecer a cultura da sustentabilidade para garantir a continuidade dos serviços públicos em cenários adversos pautou o IV Encontro de Gestão Socioambiental do Poder Judiciário do Tocantins, realizado na manhã desta sexta-feira (19/6), no auditório do Tribunal de Justiça (TJTO), em Palmas. O evento reuniu magistrados(as) e servidores(as) para debater desafios ambientais, compartilhar experiências e apresentar estratégias voltadas à gestão de riscos climáticos.
Presidente da Comissão Gestora do Plano de Logística Sustentável (CGPLS/TJTO), a desembargadora Ângela Prudente destacou, na abertura do evento, que a sustentabilidade deixou de ser um tema periférico para se tornar um valor incorporado à atuação do Poder Judiciário. “Mais do que um evento institucional, este é um reencontro de propósito e, para mim, um momento de profunda gratidão. Essa nossa quarta edição é muito mais do que o cumprimento de um calendário institucional. É o reflexo maduro de um Judiciário que compreendeu que a sustentabilidade não é um acessório ou um tema passageiro, mas a sua própria essência”, disse.
Ao abordar o papel institucional do Judiciário diante dos desafios ambientais, a desembargadora ressaltou que as ações de sustentabilidade representam um compromisso com as futuras gerações e com a própria efetividade da Justiça.

“Ao abraçarmos essa causa com tanta força, estamos assumindo um papel que vai muito além de julgar processos. Estamos cuidando do solo onde a própria justiça germina. É a compreensão de que cada ato administrativo, cada economia de recurso e cada árvore plantada são fios que tecem uma rede de proteção para o bem-estar das futuras gerações.”
Representando a presidente do TJTO, desembargadora Maysa Vendramini Rosal, a desembargadora Silvana Parfieniuk enfatizou a urgência de respostas concretas diante das transformações ambientais que afetam a sociedade. “Vivemos um tempo em que os desafios ambientais deixaram de ser uma preocupação para o futuro e passaram a exigir respostas concretas no presente. As mudanças climáticas e seus impactos sociais e econômicos demonstram que a sustentabilidade não é apenas uma escolha, mas sim uma necessidade.”
A vice-presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Tocantins (Asmeto) e diretora do Fórum de Palmas, juíza Flávia Afini Bovo, compartilhou a experiência da maior comarca do estado na implementação de práticas sustentáveis e destacou os reflexos sociais das ações desenvolvidas. “É um trabalho que estamos construindo não apenas para o Poder Judiciário, mas para toda a sociedade.”
Continuidade institucional em cenários críticos
Um dos destaques da programação foi a palestra “Continuidade Institucional em Cenários Críticos: Prevenção, Resposta e Recuperação”, ministrada pelo engenheiro florestal Marcos Leandro Kazmierczak, mestre em Sensoriamento Remoto, doutor em Desastres Naturais e integrante da Defesa Civil do Rio Grande do Sul.
Durante a exposição, o especialista apresentou dados sobre mudanças climáticas, eventos extremos registrados no Tocantins entre 1995 e 2024 e projeções para os próximos anos.
Ao abordar os impactos econômicos e sociais dos desastres ambientais, o palestrante reforçou a importância do planejamento preventivo para reduzir riscos e custos futuros.

“Prevenção sempre foi e será mais barata do que reconstrução”, afirmou.
A palestra também abordou temas como governança da decisão, continuidade dos serviços essenciais, recuperação pós-desastre e a necessidade de elaboração de planos de contingência capazes de garantir o funcionamento das instituições em situações críticas.
Plano de contingência do TJTO
A programação também contou com a apresentação da minuta do Plano de Contingência Socioambiental do Poder Judiciário do Tocantins, conduzida pelo coronel do Corpo de Bombeiros Militar do Estado, Cleber Sobrinho. Doutor em Ciências do Ambiente pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), o especialista detalhou as diretrizes do documento elaborado para atender à Resolução nº 646/2025 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A proposta estabelece procedimentos para prevenção, resposta e recuperação diante de eventos climáticos extremos e desastres ambientais que possam comprometer a continuidade das atividades judiciais. O plano busca fortalecer a capacidade de adaptação e a resiliência institucional para assegurar a manutenção dos serviços prestados à sociedade mesmo em situações de emergência.
Promovido pelo TJTO, por meio da Comissão Gestora do Plano de Logística Sustentável (PLS) e da Coordenadoria de Gestão Socioambiental e de Responsabilidade Social (Cogersa), o IV Encontro de Gestão Socioambiental integrou a programação do Junho Ambiental e destacou ações desenvolvidas pelo Judiciário tocantinense para ampliar a responsabilidade socioambiental.



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