Maior escolaridade e aumento na renda: a evolução do empreendedorismo jovem no Brasil | ASN Tocantins
O empreendedorismo jovem no Brasil, formado por aproximadamente 4,9 milhões de donos de negócios com idade até 29 anos, registrou nos últimos 14 anos um expressivo crescimento do nível de escolaridade e renda. Segundo levantamento do Sebrae, entre o 1º trimestre de 2012 e o 4º trimestre do ano passado, o percentual de jovens empreendedores com ensino superior incompleto ou mais saiu de aproximadamente 14% para quase 28%.
Desde 2019 (4º trimestre), essa faixa de escolaridade passou a ocupar a segunda colocação, abaixo apenas do nível de ensino médio completo, que também cresceu, passando de 31% (4º trimestre de 2012) para 46% (mesmo período de 2025).
A pesquisa, feita a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que essa elevação do nível de ensino foi acompanhada também por um aumento da renda desses empreendedores. No último trimestre de 2021, o rendimento real médio habitual do trabalho dos jovens donos de negócio (DN) foi de R$ 1.933, passando para R$ 2.576 no final de 2025.
Entretanto, mesmo com essa evolução, o estudo do Sebrae indica que a renda dos empreendedores jovens ainda era cerca de 30,5% inferior à dos adultos DN e 30,6% menor que a dos seniores DN. A pesquisa sinaliza um avanço importante, diz o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares.
Empreendedores mais qualificados alcançam, normalmente, melhor resultado na atividade. Temos trabalhado para estimular o empreendedorismo entre os jovens, por meio de ações inclusive nas faculdades e nos institutos tecnológicos. Somente ano passado fizemos 9,3 milhões de atendimentos por meio da educação empreendedora.
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae.
Segundo o estudo, no final do ano passado, 15% dos jovens DN frequentavam instituições de ensino, proporção quatro vezes maior que a observada entre os adultos DN e 14 vezes superior à dos seniores DN.
Rodrigo afirma que o crescimento da escolaridade e da renda dos jovens empreendedores abre oportunidades, mas que os desafios de produtividade, renda e sustentabilidade dos negócios ainda exigem políticas direcionadas especialmente a esse público. “Nosso desafio é não apenas ampliar o empreendedorismo nessa faixa etária, mas também atuar na formação desses jovens empreendedores que leve a emancipação com cidadania e inclusão, acrescenta.
Homens e negros
A pesquisa apontou que o contingente de jovens donos de negócio representa aproximadamente 16% do universo de empreendedores no país e que esse grupo é predominantemente composto por homens (64%) e pessoas negras (57%). Entre os DN adultos, 65% são homens e 53% se autodeclaram negros. Já na faixa etária sênior (60 anos ou mais), a predominância de homens é ainda maior (70%), com maior participação de pessoas brancas (52%).
Setores e localidades
O setor de Serviços é onde a maioria dos jovens empreendedores atuam (57%), seguido por Comércio (17%), Construção (11%), Agropecuária (10%) e Indústria (5%). A maioria das empresas de jovens está concentrada no Sudeste (43%), no Nordeste (25%) e no Sul (15%). Norte (10%) e Centro-Oeste (7%) completam o quadro de localidades.
Segundo o levantamento, 93% dos jovens empreendedores atuam por conta própria e apenas 7% são empregadores. Entre adultos e seniores, o percentual de empregadores é mais que o dobro (15% em ambos os grupos).



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